Câncer de Mama Masculino
Os homens também tem
Detectado mais em mulheres, o câncer de mama pode atingir a ala masculina muito mais do que se pensa.
É raro. Mas é possível, um homem ter câncer de mama. Por não ter seios como as mulheres, muitos nem imaginam que a doença pode atingi-los. Apesar das estatísticas apontarem que há um homem portador para cada cem mulheres no Brasil, o diagnóstico precoce e a quebra de preconceitos facilitam o tratamento e aumentam as possibilidades de cura.
É o que confirma o oncologista-hematologista clínico, Ricardo Teixeira, ao afirmar que a incidência do câncer de mama masculina tende a aumentar com a dificuldade do diagnóstico do tumor na fase inicial.
Nessa fase o tumor benigno pode ser confundido com doenças como a ginecomastia, que é o aumento da mama. Isso porque os homens têm glândula mamária, apenas elas são atrofiadas. O uso de anabolizantes, hormônios e terapia de reposição hormonal muscular convencional podem impedir um diagnóstico claro da doença e até mesmo a desenvolvê-la - explica.
Os sintomas do câncer de mama masculina são, praticamente, os mesmos apresentados por pacientes mulheres. Ou seja, podem ser encontrados nódulos sem dor na região mamária ou até mesmo uma ferida na aréola ou mamilo que não cicatriza.
Sabemos que esta patologia é mais freqüente na faixa entre 50 e 65 anos de idade, ou seja, 10 anos mais tarde que a média de idade das mulheres.
Instituto Nacional do Câncer (INCA), o mastologista Cesar Lesmar, responsável pelo diagnóstico, tratamento e reabilitação do paciente.
A análise da doença pode ser feita através de mamografia - exame de diagnóstico por imagem, que tem como finalidade estudar o tecido mamário - de alta resolução e biopsia por punção. É importante que os homens façam auto-exames periódicos apalpando a mama.
Fatores de risco
Casos de câncer de mama na família, obesidade e tratamento hormonais prolongados são considerados fatores de predisposição à doença, segundo os médicos.
Lasmar explica que, no caso do histórico familiar, é importante analisar, principalmente, se um ou mais parentes de primeiro grau como mãe ou irmã, tiverem sido atingidas pelo câncer de mama.
– Sempre que se diagnostica um câncer de mama em um homem, você tem como padrão que esta família tem um risco aumentado e todos devem estar em alertas, principalmente as mulheres. Pacientes que tenha insuficiência hepática e cirrose também são mais vulneráveis porque ocorre um problema no metabolismo hormonal e estes ficam mais suscetíveis a apresentar estas alterações na mama – informa o mastologista.
O médico faz um alerta para a importância detecção precoce do câncer. Afinal, quanto mais cedo se descobre a doença, mais chances o paciente tem de obter uma boa recuperação.
– No o Inca, dos pacientes que nos procuram e se tratam conosco temos registrado cerca de 130 casos anualmente. Porém, tem aqueles que optam por tratamentos particulares e estes não temos como contabilizar – explica.
Bastante, conhecido entre as mulheres, o auto-exame deve fazer parte da rotina dos homens, de preferência com mais de 40 anos. Deitado, ele deve apalpar a mama e observar se há módulos e dores, qualquer alteração no formato das mamas, seja no tamanho ou no surgimento de pregas, podem ser observadas em frente ao espelho. A presença de secreções é percebida através de toques em movimentos circulares. Importante lembrar que as axilas também devem ser apalpadas.
Quando diagnosticado, o paciente se submete ao tratamento e, se for o caso, à cirurgia da retirada da mama. Em seguida, são realizados os procedimentos complementares como radioterapia, quimioterapia e terapia com hormônios, dependendo do caso.
Dois casos: o mesmo resultado
Quando a mãe de Cláudio Barbosa, hoje com 40 anos, morreu em decorrência do câncer – a doença começou nas mamas e foi para o intestino e ele não poderia imaginar o que ainda estava por vir. Por conta do tratamento dela, seu pai freqüentava o Inca e passou a ouvir história sobre a possibilidade de homens também apresentarem câncer de mama. Ao saber disso, em uma reação quase que instintiva, Cláudio fez o auto-exame. Resultado: algo diferente, parecido com um pequeno nódulo, foi percebido atrás do mamilo esquerdo.
– Há uns dois anos percebi o tumor, mas ele foi detectado somente como maligno em janeiro desde ano, através de uma biópsia – conta.
Em abril, Cláudio retirou toda a mama esquerda e os nódulos do braço. O tratamento pós-operatório vai depender do resultado da biópsia desses nódulos. O paciente, que se trata no Inca, é um exemplo de que toda regra tem sua exceção. Apesar da doença atingir os homens a partir de 50 anos, Cláudio está muito abaixo desta média de idade. Ele conta não ter se assustado, ao descobrir a doença.
– Meus pais são hipertensos, eu também sou. E como minha mãe teve câncer de mama, acabei achando que eu poderia ter também, por isso não foi uma surpresa – afirma ele que lida com a doença da mãe sem problemas – Tenho que levar na brincadeira porque senão a gente pira – completa Cláudio que aguarda a próxima consulta prevista para a segunda quinzena de junho, ára saber que tipo de tratamento complementar será necessário realizar.